Três livros para entender o Brasil de hoje

Dicas culturais

Aguinaldo Lopes Vieira, da PR-HI na Replan | Música |Eu indico a música “Even Flow”, da banda norte-americana Pearl Jam.

Marlon Cezar Pontes, da UT/Replan | Filme | “Sementes Podres” é dirigido e estrelado por Kheiron. Uma verdadeira história de cidadania. Tem no Netflix.

Pedro Pons, da Destilação/Replan | Livro | “Sapiens” narra a trajetória da espécie humana e o desenvolvimento de nossas fantasias em relação ao mundo.


Leitura

Três livros para entender o Brasil de hoje

Fruto de intenso trabalho jornalístico, três lançamentos recentes ajudam a entender o atual momento histórico do Brasil. Dois deles têm como personagem central o atual presidente Jair Bolsonaro e o outro o ex-presidente Fernando Henrique. Leituras altamente recomendáveis.

 

O Cadete e o Capitão – A vida de Jair Bolsonaro no quartel – Luiz Maklouf Carvalho.

Por que Jair Bolsonaro abandonou a carreira militar e ingressou na vida política? A descrição em detalhes e com farta documentação desse controverso momento da trajetória do atual presidente constitui o eixo central deste livro. O autor fez uma investigação de fôlego de uma história que considerava mal contada pela imprensa: o julgamento de Bolsonaro sob acusação de participar de um plano para estourar bombas em locais estratégicos do RJ. Baseado em documentos e mais de cinco horas de áudio do julgamento, o livro traz 88 páginas de imagens e documentos. Carvalho explica que Bolsonaro foi considerado inicialmente culpado, mas acabou inocentado de forma polêmica pelo Superior Tribunal Militar (STM).

 

O Protegido – por que o país ignora as terras de FHC – de Alceu Luís Castilho

O livro-reportagem traz detalhes sobre como, após deixar o poder, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se consolidou como um grande fazendeiro, com direito a terras férteis para a cana-de-açúcar, gado de raça e cavalos resignados. O “Protegido” oferece detalhes de como FHC contou com o apoio de empresários em sua “aventura agrária”, como o pecuarista Jovelino Mineiro, sócio de Emílio Odebrecht, que  tornou-se sócio dos filhos de FHC.

 

 

A Ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI – de Cesar Calejon

No Brasil, em 2018, cinco grandes forças motivaram a votação maciça que o então deputado federal Jair Bolsonaro recebeu nos dois turnos da eleição presidencial:
(1) o antipetismo, que foi estimulado com voracidade ímpar por alguns dos principais grupos empresariais e de comunicação do país nos anos anteriores,
(2) o elitismo histórico, reforçado principalmente por boa parte da classe média brasileira e algumas camadas mais pobres e ascendentes da população,
(3) o dogma religioso
, neste caso, mais especificamente considerando a notória adesão dos evangélicos à candidatura de Bolsonaro,
(4) o sentimento de antissistema, em virtude de uma imensa descrença no modelo de democracia representativa (31 milhões de abstenções e 11 milhões de brancos ou nulos) e
(5) o uso de novas ferramentas e estratégias de comunicação, tais como o Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp para a disseminação de notícias falsas e discursos de ódio ou medo.

A partir desse conjunto, o jornalista Cesar Calejon aborda o fenômeno do avanço da extrema-direita no país. Uma entrevista com o autor pode ser acessada em https://www.youtube.com/watch?v=BBWxqzxIEUo&list=PLqmZYwj2fAozfAdNO00vFNYGhVzdU4p7q&index=2

 


Esporte

A censura chega ao esporte

Isso pode…
…mas isso não?

Jucielen Romeu, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos, foi proibida de dar entrevista falando sobre racismo (leia nota na página 8). O torcedor Rogério Lemes Coelho foi preso durante o jogo Corinthians e Palmeiras por xingar Jair Bolsonaro (por esse critério, milhares deveriam ter sido presos ao ofender a ex-presidente Dilma na abertura a Copa do Mundo, em 2014).

Ainda recentemente, um grupo de conselheiros do Corinthians pediu para que fosse retirado do memorial do clube, a camiseta usada pelo jogador de basquete Gustavinho, com referência ao crime que vitimou Marielle Franco. A tentativa de censura gerou uma vigília de torcedores no Parque São Jorge, no dia 2 de agosto, que reuniu cerca de 300 pessoas.

Esses episódios dão mostra de que o esporte começa a ser contaminado pelo clima de censura que o governo tenta impor. Nas redes sociais, algumas pessoas batiam na ladainha de que não se pode misturar política com esporte, mas, essas mesmas pessoas, na maioria, acham normal jogadores aparecerem ao lado do presidente fazendo sinal de arminha com a mão.

O futebol, uma das grandes paixões nacionais, deve dar o exemplo de convivência democrática, isso parte dos dirigentes, mas, principalmente, dos torcedores, que não podem aceitar censura, manifestações de racismo e outros absurdos que apequenam a humanidade.