Sinais do ressurgimento do fascismo no Brasil

Milhares de pessoas acompanharam o julgamento de Lula, em Porto Alegre
Dirigentes e militantes do Unificado em ato na Praça da República (SP) no dia do julgamento de Lula.

Apenas no ano de 2017, a economia brasileira, “em recessão”, criou 12 novos bilionários, agora são oficialmente 43. Ou seja, em apenas um ano, o país concentrou renda para gerar um terço de novos mega ricos; desses cinco concentram riqueza equivalente à metade da população mais pobre do Brasil.
Segundo a ONG britânica, Oxfam, o patrimônio desses bilionários alcançou R$ 549 bilhões no ano passado, um crescimento de 13% em relação a 2016. Na ponta oposta, os 50% mais pobres tiveram a sua renda reduzida de 2,7% para 2%. Dessa forma, um brasileiro que recebe salário mínimo precisaria trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que abocanha em um mês uma pessoa enquadrada entre o 0,1% mais rico da população.
Mais do que qualquer discurso, esses dados mostram o motivo do golpe e a razão de reformas como a trabalhista e a da Previdência, a retirada de verba para programas sociais e para a saúde: deixar os ricos mais ricos.

A farsa jurídica
O teatro montado em Porto Alegre dia 24, quando três desembargadores condenaram Lula por ele ser o “suposto proprietário” de um apartamento triplex condenou, em última instância, a própria Justiça brasileira, que é vista internacionalmente como um agente de perseguição a determinados políticos e acobertamento de outros. No mesmo dia em que Lula era julgado na mais rápida tramitação de um processo que se tem notícia no país, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pedia o arquivamento do inquérito contra o tucano José Serra, denunciado pelo empresário Joesley Batista em propina de R$ 20 milhões. Serra, assim como Aécio, Jucá e outros emplumados, sequer serão investigados a fundo, seja pela “justiça”, seja pela imprensa.
No final de semana que precedeu ao julgamento de Lula, três grandes revistas (Veja, Isto É e Época) publicaram capas já condenando o ex-presidente. Prática comum de toda a mídia golpista, que há anos criminaliza – mesmo sem provas – aqueles que consideram seus inimigos.

Sinais de um novo ciclo fascista
Um legislativo que diariamente aprova leis que resultam em maior concentração de renda e criminalização de movimentos sociais; uma justiça que atua como agente político para acuar e condenar inimigos; uma mídia que se coloca acima das leis, manipula, inventa fatos e participa de negociatas do poder; uma população que vai, paulatinamente perdendo seus direitos de cidadania à saúde, educação e moradia; o discurso de ódio nas redes sociais contra as minorias… todos esses, e outros, fatores que nefastamente estão a fazer parte do cotidiano brasileiro, historicamente foram o alicerce de governos fascistas ao redor do mundo. Foi assim na Itália e Alemanha antes da Segunda Guerra, na Espanha do general Franco, e está a se configurar no Brasil. Ou as pessoas acordam e resistem ou logo será tarde.