Sem democracia não há futuro para o Brasil

O que parecia improvável aconteceu: após a eleição do domingo, o Congresso Nacional terá 53,4% de renovação das cadeiras, mas se tornou, em tese, ainda mais conservador.  Nessa nova configuração, o centro direita foi o bloco que mais perdeu cadeiras, espelhando a polarização da sociedade. De outro lado, a as bancadas de partidos progressistas mantiveram o mesmo número de  cadeira no Senado e aumentaram 9 na Câmara Federal
Diante deste quadro torna-se ainda mais imperativo eleger um presidente comprometido com a manutenção dos direitos dos trabalhadores e da democracia, como princípio fundamental da sociedade.
O Sindicato é uma entidade apartidária, mas isso não pode ser confundido com falta de posição política diante de um quadro tão grave: de um lado há um projeto político de destruição da indústria nacional, entrega das riquezas naturais, submissão econômica aos Estados Unidos, aprofundamento da retirada de direitos trabalhistas (o vice de Bolsonaro disse que vai acabar com o 13º salário, férias e outras conquistas sociais… ele está avisando para quem quiser ouvir), corte de direitos para trabalhadoras (afinal, como Bolsonaro afirmou, mulheres merecem ganhar menos do que homens porque engravidam) entre outras propostas que irão levar o Brasil a se tornar uma colônia exportadora de alimentos e com relações de trabalho do início do século 20.
De outro lado está a candidatura de Fernando Haddad. Por mais que tenhamos críticas a muitas coisas feitas pelo PT durante seus governos é inegável que o Brasil cresceu, viveu um ciclo de quase pleno emprego, milhões de pessoas saíram da linha de miséria, universidades foram democratizadas para que os mais pobres pudessem cursar, a Petrobrás foi valorizada e se tornou uma gigante. Muitos de nós não estariam trabalhando aqui se o governo Lula não tivesse investido no fortalecimento da Petrobrás.
Quem viveu os tempos da ditadura sabe bem o que é isso e tem absoluta certeza de que não quer passar por essa experiência novamente. Os mais novos têm uma ideia vaga, mas não sentiram na pele, cresceram em um país com uma democracia jovem, mas que caminhava para sua consolidação.
Essa democracia está seriamente ameaçada. Todos os dias a mídia registra um caso de violência promovida por grupos ou pessoas que apóiam a política de ódio de Bolsonaro. Negros, gays e mulheres são hostilizados por aqueles que fazem a apologia do estupro (se você é mulher ou tem uma filha, tem motivos concretos para se preocupar). Imaginem esses sujeitos com permissão para andar armados em qualquer lugar.
Não se trata apenas de visões diferentes sobre os problemas do país,  e sim de dar poder a um grupo que não tem respeito pela população, não tem compromisso com o país e prega o uso da força em vez do diálogo.
Acreditamos na democracia como um valor universal; acreditamos no diálogo em vez de balas; acreditamos que os direitos dos trabalhadores têm de avançar ainda mais e não serem cortados, acreditamos que o Brasil precisa se impor internacionalmente como uma nação soberana e não bater continência para a bandeira dos EUA, acreditamos que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos, igualdade de tratamento e oportunidades no mundo do trabalho. Acreditamos que não existam pessoas inferiores a outras e, acima de tudo, acreditamos na capacidade de luta dos trabalhadores para barrar o fascismo.