Petroleiros fazem ato de atraso em apoio à greve de Xisto

Em apoio aos trabalhadores da Usina de Xisto (SIX), no Paraná, que estão em greve há 30 dias, o Unificado promoveu, na manhã desta sexta-feira (30), um atraso de duas horas no início do expediente da Replan. Cerca de 300 trabalhadores do turno e do horário administrativo participaram do ato, realizado em frente à portaria Sul.
A mobilização na SIX começou dia 1º de setembro e foi motivada pela decisão unilateral da Petrobrás de reduzir a jornada do turno de oito para seis horas. “O Unificado e muitos trabalhadores da base estão solidários a esses guerreiros do Xisto, que enfrentam a truculência da empresa. Não vamos aceitar ataques ao trabalhador. Ao contrário, se for preciso, partiremos pra cima para garantir o respeito”, afirmou o diretor do Unificado, Gustavo Marsaioli.
Os dirigentes falaram sobre o tratamento arbitrário que tem sido dado à greve de Xisto. “Esse comportamento da empresa já dá o tom de como o nosso movimento será tratado”, destacou Marsaioli. E abordaram ainda a participação dos supervisores nas mobilizações. “A greve de Xisto tem a adesão de vários supervisores e é a prova real de que é possível garantir a participação desse pessoal. Temos que intensificar o diálogo com os supervisores da base do Unificado para tentar trazê-los para o combate”, comentou.
O diretor alertou que se a Petrobrás não resolver a situação dos trabalhadores do SIX, o Unificado vai intensificar as mobilizações de apoio ao movimento.

Desrespeito
No ato de atraso, os dirigentes também deram informes sobre a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho da categoria, que ainda não teve avanços. Aproveitando a visita do gerente industrial da Petrobrás, Cláudio Romeo Schlosser, que esteve hoje na Replan para fazer auditoria, a direção sindical denunciou que a Replan está montando um alojamento dentro da refinaria, para manter trabalhadores durante a greve.
Na mobilização no final do ano passado, a refinaria desrespeitou a determinação do Ministério Público, de que o trabalhador tivesse, no mínimo, 12 horas de descanso e manteve, por dias, vários empregados dentro da refinaria. “Pelo visto, a gestão da Replan está se preparando para desrespeitar, de novo, essa decisão”, ressaltou o diretor Fernandes.
De acordo com ele, o autoritarismo tem sido a marca registrada da Petrobrás nesses últimos tempos. “A empresa não respeita o Ministério Público, o Sindicato e não respeita o trabalhador, colocando em risco sua segurança e sua integridade física”, declarou.