Pedalar à noite, diversão e exercício

Por Norian Segatto

Há sete anos na Transpetro, lotado atualmente no Edisp 2, o profissional de nível técnico pleno Alexandre Sena resolveu há seis meses dar um “up” e passou a praticar ciclismo noturno. “Sempre frequentei academia e pratico corrida em circuito de ruas regularmente, mas o pedal noturno foi uma descoberta para mim”, revela esse petroleiro de 39 anos, que pedala duas a três vezes por semana.

Andar de bicicleta é um exercício que pode ser feito por qualquer pessoa, levando em consideração as limitações de cada um. A prática ajuda no controle do peso, na melhora das condições cardiovasculares, no condicionamento físico geral, mas para quem quer ter as pedaladas como atividade constante, é importante consultar um médico e ir dosando a intensidade de acordo com a condição física.

Alexandre também chama a atenção para as questões de segurança: “é fundamental sempre verificar as condições da bicicleta, os pneus, usar equipamentos como capacete e coletes sinalizadores e luzes na bike para quem for praticar à noite. Sair em grupo também é mais seguro – e divertido – do que pedalar sozinho”. O petroleiro ainda orienta para se andar preferencialmente nas ciclofaixas e ciclovias e ficar sempre atento aos motoristas. “Geralmente eles respeitam as bikes, alguns buzinam, nunca presenciei nenhum acidente, mas evito sair nas sextas-feiras à noite, porque é dia de maior agito na cidade”, recomenda. Em relação às ciclofaixas, ele reclama do atual estado de abandono e conservação.

Para quem deseja começar a pedalar à noite deve procurar um dos diversos grupos que existem, apenas em São Paulo são dezenas deles (confira no site do Unificado endereços de alguns desses grupos), alguns acabam cobrando taxas de participação. Antes de ir, veja qual é o trajeto, quantas pessoas participam e os equipamentos básicos. “Há trajetos de vinte, 25 quilômetros para iniciantes, e de até 80 quilômetros, eu faço um percurso de 40 quilômetros, o que dá uma média de três horas de pedalada”, conta Sena, que ressalta o profissionalismo e os cuidados que a organização do grupo tem com os participantes. “Sempre fica um monitor na frente do grupo, outros no meio e um no final, se comunicando o tempo todo, se alguém não aguentar o trajeto o grupo para, ajuda e já chegou a ter caso de um monitor acompanhar a pessoa para casa para se certificar que ela estava bem”.

A maior experiência de Alexandre aconteceu no dia 2 de dezembro do ano passado, quando foi organizada a primeira descida de bike para o litoral. A via Anchieta foi fechada para que cerca de 40 mil ciclistas desfrutassem o belo trajeto. “Foi inesquecível”, comenta.

 

Bike ativismo

Andar de bicicleta em grupo não é apenas uma diversão ou um bom exercício, é, também, um exercício de cidadania e de protesto contra a falta de políticas de mobilidade urbana, que privilegiam desde sempre os automóveis. A iniciativa do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, de expandir a rede de ciclofaixas na cidade foi o início de uma tentativa de mudar esse quadro. Segundo a Companhia de Engenharia de Trânsito, CET, São Paulo possui 498,3 km de vias com tratamento cicloviário permanente, sendo 468,0 km de ciclovias/ciclofaixas e 30,3 km de ciclorrotas.

Em junho de 2008, uma atividade inusitada agitou a avenida Paulista, a 1ª pedalada pelada (World Naked Bike Ride), movimento mundial que contou com centenas de adeptos no Brasil. O evento, que servia para chamar a atenção para as políticas de mobilidade urbana, acabou em tumulto com a polícia e um ativista preso. Confira no link https://www.youtube.com/watch?list=PLCE128162914C8B90&time_continue=166&v=rJhr7hgJoNk matéria sobre o tema, realizado pela cicloativista Renata Falzoni.

Apesar de entusiasta por ciclismo, Alexandre Sena avisa que não pretende pedalar pelado pela cidade.