Pasquim 50 anos e ainda atual

Dicas

José Carlos | HA-Replan | Filme: Gosto de um documentário da Netflix chamado “Indústria Americana”, pois nele mostra o choque cultural entre uma fábrica nacional e administradores estrangeiros.

Ricardo Moraes | HA-Replan | Música: O som instrumental e dramático de “The End”, do The Doors, me cativa.

Antonio Jesus Alencar Ferreira | aposentado Replan | Livro: Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Harari, faz uma análise da evolução da civilização e questiona alguns pontos interessantes. Um livro que faz a gente pensar.


Cultura

Pasquim, após 50 anos, ainda atual

Por Norian Segatto

Em plena ditadura militar um grupo de talentosos e irreverentes jornalistas, cartunistas e artistas lançou o jornal O Pasquim, uma das mais interessantes e subversivas publicações que o Brasil teve.

 

Em 1969, meses depois do AI-5, o cartunista Jaguar concebeu o projeto que, inicialmente seria um jornal de bairro em Ipanema. Para tocar a coisa, reuniu uma então nova geração de cartunistas, entre eles Henfil, convidou jornalistas como Tarso de Castro, Paulo Francis e Luís Carlos Maciel. O sucesso da publicação foi instantânea, o humor corrosivo e anárquico de O Pasquim não se voltou apenas contra a ditadura, suas páginas zombavam da caretice conservadora, expondo o ridículo do medíocre pensamento classe média. O Pasquim chegou a ter tiragem de 200 mil exemplares, vendidos em bancas de jornal, sobreviveu à censura e aos ataques, e, entre crises encerrou sua longa vida em 1991.

Para celebrar o cinquentenário de sua criação, o Sesc Ipiranga apresenta a mostra O Pasquim 50 anos. Com curadoria de Zélio Alves Pinto (que é irmão do Ziraldo, não do Auzélio) e Fernando Coelho, a exposição é tristemente bastante atual.

Além de capas icônicas do jornal carioca, é possível ouvir o LP “Anedotas do Pasquim” com piadas contadas por Ziraldo, Chico Anisio, Golias e Zé Vasconcelos. No mesmo espaço uma linha do tempo apresenta 50 capas e textos complementares, que proporcionam uma viagem entre 1969 e 1991, ano da última publicação do jornal.

Nas paredes do solário, no quintal da unidade, frases lema que foram publicadas em todas edições, entre elas “Pasquim, um jornal a favor do contra” e “Na terra de cego quem lê Pasquim é rei” são expostas na expo “O Pasquim 50 anos”.

O Pasquim teve 1.072 edições em 22 anos de existência. Para que o material não se perdesse, todas as publicações foram digitalizadas e estão disponíveis no portal da Biblioteca Nacional.

A exposição acontece até 12 de abril de 2020.

 

 


Esporte

Flamengo vira palanque para extrema direita

Montagem: jornal El Pais

Por Norian Segatto

O até ontem corinthiano, Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, se ajoelha diante de Gabigol para render-lhe homenagem (e sair na foto) pelo título da Libertadores; o palmeirense, gremista, atleticano Jair Bolsonaro, agora é flamenguista desde sempre e até presenteou Xi Jinping, presidente chinês, com uma camiseta do clube.

O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ) ostenta em seu gabinete uma camiseta rubro negra ao lado de um pedaço da placa com o nome de Marielle Franco quebrada pelo então candidato em um comício ao lado de Witzel. Magno Malta e Alexandre Frota são outros dois exemplos de parlamentares que decoram seu gabinetes com odes ao Flamengo.

Nos bastidores, um dos nomes que se destacam na aproximação de políticos com o clube da Gávea é Aleksander Santos, Membro da executiva estadual do Solidariedade e diretor de relações governamentais do Flamengo. Santos teve papel destacado em aproximar o presidente do clube, Rodolfo Landim, ex-diretor da Petrobrás, de proeminentes figuras da política carioca e nacional, ajudou a obter licenças com órgãos municipais e estaduais para desinterditar o Ninho do Urubu após o incêndio que vitimou 10 meninos. A proximidade do clube com políticos de extrema direita rendeu outros frutos: no início de abril, o governo estadual concedeu a Flamengo e Fluminense a gestão provisória do Maracanã.

O Flamengo é campeão brasileiro e continental com méritos, e passou a ser o clube que mais serve de palanque para políticos conservadores, um título nada honroso.