Momento de resistir e reescrever a história

Esta semana o Senado vota o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Salvo algo inesperado, o resultado mais previsto é pelo seu afastamento definitivo do mandato concedido a ela por 54 milhões de votos.
Os crimes de “responsabilidade fiscal” ou as chamadas “pedaladas” são argumentos fracos e dúbios para se retirar a mandatária da Presidência. Foram usados como escudo para tentar ocultar a consolidação de um “golpe branco” (ou seja, sem intervenção armada militar) promovido por partidos de oposição, que saíram derrotados na eleição majoritária, mas obtiveram maioria na Câmara, o judiciário e a mídia – cada um com seus interesses próprios e seu sentido de defesa da classe dominante.
A perda do mandado de Dilma é decorrência da conjunção de alguns fatores:
1) A crise econômica, que se aprofundou e o governo não soube como enfrentar, cedendo a fórmulas liberais;
2) Erros na condução política por parte do governo em algumas questões, mas, principalmente, a firmeza da presidente em não tornar o governo balcão de negócios para parlamentares e empresários corruptos;
3) Coesão da elite dominante (partidos, mídia e judiciário), que “descobriram” no discurso contra a corrupção o meio aglutinador.
Câmara e Senado de maioria oposicionista obstruindo as propostas do executivo, mídia bombardeando 24 horas por dia contra o governo e judiciário usando a lei para perseguir e incriminar pessoas seletivamente, tudo isso aliado aos erros do governo e de seu principal partido, o PT, minou o poder do governo de se sustentar e abriu espaço para as articulações golpistas.

Futuro sombrio
Em pouquíssimo tempo de governo golpista já ficou evidenciado o retrocesso que o país está sofrendo. Programas sociais sofreram foram extintos ou sofreram substancial corte de verbas, leis contra os trabalhadores estão sendo diariamente aprovadas (como a da terceirização indiscriminada) e há projetos para a reforma da Previdência, com aumento do tempo de aposentadoria, fim do 13º salário e outros direitos trabalhistas, rebaixamento de salários, aumento da carga horária de trabalho (já foi proposto que se trabalhe 80 horas por semana) e por aí vai.
No campo econômico, o grande compromisso deste governo é com a privatização acelerada de “tudo o que for possível”, nas palavras do próprio Michel Temer.
À frente deste processo está Moreira Franco, que disse textualmente na semana passada que o pré-sal é o carro chefe do processo de privatização. Ou seja, nossos empregos e todos os direitos arduamente conquistados ao longo dos anos estão sob sério risco. É notório que as empresas privadas de petróleo têm políticas de benefícios e condições de trabalho muito piores que a Petrobrás.

A disputa que se travou (e se trava) entre os setores democráticos e progressistas e os golpistas não é pelo combate ou não à corrupção, o que está em disputa são dois projetos opostos de país: um que aposta no Estado como indutor do crescimento social e econômico e outro que aposta na entrega ao capital estrangeiro de todas as riquezas do país, no sucateamento do Estado e na prevalência do setor privado em todos os campos da sociedade: da exploração de riquezas naturais à saúde e educação, tudo privatizado, nas mãos de poucos.

Resistir sempre
A Diretoria do Unificado reafirma, neste singular momento do Brasil, da Petrobrás e dos petroleiros e petroleiras, seu compromisso com um país soberano, com a garantia dos direitos categoria e com a democracia. Não vamos parar de lutar e de enfrentar a visão de mundo que considera que milhões de pessoas são apenas engrenagem para gerar lucros e riquezas para poucos.
Não vamos aceitar passivamente o enredo que as classes dominantes e os setores golpistas querem impor para o Brasil e para os petroleiros.
Fazemos um chamamento à categoria para enfrentar essa luta de frente, com vontade e sabedora de que estamos construindo um momento ímpar na história do Brasil. Contamos com todos nesta batalha, somos a maioria e vamos resistir.