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Juiz combina jogo com técnico adversário, mas não vê problema na partida

Por Norian Segatto

Pode isso, Arnaldo? Imagine você, descobre-se antes de uma importante partida, que um juiz de futebol trocava mensagens com o técnico de um dos clubes, combinando como prejudicar a outra equipe. Após a descoberta, vem a público dizer que aquilo não era e que isso não influenciou o resultado da partida.

Tal analogia é perfeitamente cabível no caso das correspondências trocadas entre o então juiz Sérgio Moro, o procurador do Ministério Público, Deltan Dallagnol, e outros expoentes da Operação Lava Jato. Nas mensagens publicadas no final de semana pelo site The Intercept Brasil, fica clara a combinação, orientação e ações com intuito específico, que fogem da alçada de alguém que deve zelar pela lei acima de tudo.

Entre os documentos já conhecidos do público, o mais impactante, por enquanto, é o que revela a ação de Moro e Dallagnol para impedir que o ex-presidente Lula concedesse uma entrevista à Folha de S.Paulo duas semanas antes do segundo turno eleitoral. O medo dos magistrados era de que tal entrevista pudesse mudar o rumo da campanha eleitoral e garantir a vitória de Fernando Hadadd. Assim, passando por cima de um direito constituído, agiram para impedir a entrevista, intervindo, diretamente, o resultado eleitoral. Se tal entrevista fosse suficiente alterar o resultado da eleição nunca se saberá, o certo é que Sergio Moro conscientemente descumpriu a lei, que jurou honrar, por um motivo político. Como recompensa, ganhou a indicação para o Ministério da Justiça.

Em nota, a Associação de Juízes pela Democracia, afirma que “Não há como falar em Democracia sem um Poder Judiciário independente, imparcial e comprometido com o império dos direitos humanos e das garantias constitucionais, sobretudo o devido processo legal e a presunção de inocência, para a realização de julgamentos justos, para quem quer que seja, sem qualquer discriminação ou preconceito, sem privilégios ditados por códigos ocultos e sem a influência de ideologias políticas ou preferências e crenças pessoais”.

As mensagens reveladas pelo The Intercept mostram, também, que não havia por parte dos representantes do Ministério Público convicção sobre as provas para incriminar Lula e, novamente, combinaram o jogo e os argumentos com o juiz Sergio Moro. A dubiedade das provas obrigaria a que Lula não fosse condenado nessa ocasião e pudesse ser ele o candidato à presidência da República, o que mudaria completamente o cenário eleitoral do país. A ação de Moro e Dallagnol foram decisivas para a o resultado das eleições de 2018. E Moro foi muito bem recompensado por isso.