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Considerações sobre o descompromisso com a integridade dos trabalhadores

A última troca de contrato do transporte dos trabalhadores de turno da Replan demonstra que o programa “Compromisso com a Vida”, é mero teatro. Em entrevistas à imprensa, em 2016, Hugo Repsold, diretor de RH, SMS e Serviços, declarava que o momento vivido pela companhia não poderia desviar a atenção do bem-estar e da garantia à vida das pessoas. Afirmava, ainda, que o código de ética da empresa coloca como primeiro item o “respeito à vida em todas as suas formas, manifestações e situações”.
A decisão tomada pelo SOP da Replan na troca do transporte, entretanto, atesta situação totalmente contrária. O que se vê na Refinaria é a precarização das condições de bem-estar, com os trabalhadores sendo obrigados a viajar amontoados em bancos estreitos e apertados, em vans que oferecem mais riscos de segurança do que os antigos micro-ônibus.
Nas entrevistas, o diretor de Recursos Humanos também ressaltou a importância de o “trabalhador estar inteiro, íntegro e atento a todos os grandes valores e princípios do seu trabalho”. A questão é: Como pode um trabalhador, que já chega na empresa cansado e desgastado devido às condições do transporte e da viagem, seguir essa diretriz?
Nem mesmo as tão faladas “Regras de Ouro” foram atendidas nessa troca de contrato. Por exemplo, a regra “Atenção às Mudanças”, que orienta que o trabalhador fique atento aos riscos das mudanças e somente as realize após análise e autorização, foi totalmente descumpridas na troca de contrato de transporte e não foram observados todos os riscos e prejuízos com as pessoas envolvidas.
O problema todo foi ocasionado em função de uma economia contratual de R$ 600 mil ao ano, um valor considerado pequeno para uma refinaria do porte da Replan.
Como não ouve qualquer outra alegação, senão a economia no contrato, levantamos aqui algumas análises que poderiam ter sido feitas pela gerência a fim de se permitir gastar esse recurso com um transporte digno para os trabalhadores.

Carros da supervisão
O contrato de transporte dos trabalhadores de turno, de R$ 3,6 milhões, atende praticamente 400 trabalhadores. Já, o contrato de locação de carros para o uso de 35 supervisores custa, aproximadamente, R$ 1 milhão por ano. Ou seja, a empresa gasta quase um terço do valor total contratado para transportar menos de 10% dos trabalhadores.

Impressões
Outro ponto a se abordar é o imenso desperdício de recursos no quesito impressões. A Replan tem aumentado cada vez mais a quantidade de impressões em uma política contrária à sustentabilidade. Além disso, a refinaria poderia garantir uma boa economia nesse item, sem precisar mexer com o transporte dos trabalhadores.
Considerando um custo médio de impressão de R$ 0,15 por página, uma economia média de 12 mil páginas por dia cobriria os custos do contrato do transporte de turno. Em uma estimativa grosseira, somente o setor da TEU/TE imprime 2 mil páginas por dia.

Vapor
A Replan tem uma produção mensal aproximada de 450 mil toneladas de vapor. Considerando uma perda por vazamentos de 10%, por simples falta de manutenção, e sendo o custo médio de produção do vapor de R$ 40 por tonelada, chegamos a um desperdício de 1,8 milhão de toneladas por mês, o equivalente a três vezes o valor que foi economizado no contrato de transporte para um ano.