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Assentamento de Americana investe em venda direta para driblar crise

Eunice, do assentamento, destacou a comercialização sem atravessador e a preços justos

Como forma de driblar a crise, os produtores rurais do assentamento Milton Santos, do MST, em Americana, começaram a investir na venda direta de alimentos orgânicos ao consumidor. Essa foi a saída encontrada pelas famílias após o corte dos programas do governo federal, que comprava produtos do assentamento para abastecer escolas e entidades.
Na última Quinta Total do mês de abril, atividade de lazer realizada toda semana na Regional Campinas, agricultores do assentamento fizeram uma pequena exposição de produtos cultivados pelo MST e explicaram como funciona o sistema de produção e distribuição desses alimentos.
A quantidade e a qualidade dos produtos causaram surpresa em muita gente. “Nossos alimentos são cultivados de forma natural, sem agrotóxico, e ajudam a melhorar a saúde das pessoas”, afirmou Eunice Pimenta, uma das líderes do assentamento de Americana.

Cestas de produtos
Os agricultores do Milton Santos criaram a cooperativa Cooperflora e passaram a comercializar cestas de produtos sem o atravessador. Um ponto de encontro foi estabelecido em Americana para o recolhimento da compra. Cada cesta custa cerca de R$ 20 e possui cinco produtos, sendo duas folhas, um tubérculo, uma fruta e um ingrediente especial, que varia entre pão caseiro, arroz, café, mel, ovos caipira ou doce. Alguns produtos, como suco, café, arroz e feijão, podem ser adquiridos à parte.
Eunice, representante do assentamento, contou que a venda direta mudou a qualidade de vida de muitos moradores do Milton Santos. “A autoestima mudou, porque agora essas famílias têm dinheiro limpo todo mês. Eu, por exemplo, só de ovo tiro mais de R$ 400. Pensa como é importante esse dinheiro todo o mês para quem mora na roça”, destacou.

Sem veneno
A venda direta de cestas permite uma renda digna ao produtor e qualidade e saúde ao consumidor. “Quem compra nossos produtos tem a garantia de mais saúde, porque consome alimento sem veneno”, comentou Eunice. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, segundo o IBGE. Entre 2000 e 2014, a venda de agrotóxicos no país passou de 313,8 mil toneladas para 914,2 mil.