As várias versões da irresponsabilidade no caso do incidente na Replan

Duas semanas após a fumaça tóxica expelida pelas chaminés da Replan, no dia 1 de novembro, que custou à refinaria uma multa de R$ 1 milhão aplicada pela Cetesb e quase causou um acidente de graves proporções, a gerência da companhia continua dando versões desencontradas para o ocorrido.
Logo após o ocorrido, a versão da empresa para demorar mais de 20 minutos para tocar o tifon foi de que em caso de evacuação não haveria efetivo suficiente para controlar a situação. Assim, a gerência confirmava as denúncias do Sindicato de que a falta de efetivo é motivo de insegurança para todos os trabalhadores e as instalações.
No entanto, na semana passada, a gerência da Replan realizou duas reuniões, com trabalhadores próprios e terceirizados, e novas versões vieram à tona.
Na reunião com os terceirizados, foi dito que faltava uma válvula de retenção, motivo que teria sido decisivo para a ocorrência do incidente; para os trabalhadores próprios essa informação foi omitida, pelo que apurou o Sindicato.
Nessas reuniões, a demora para soar o tifon teve outra justificativa: saiu de cena a falta de efetivo e entrou a versão de que a gerência “tinha controle da situação”. Segundo essa nova versão, foi avaliado que no momento do acidente o vento soprava em uma direção que minimizaria os riscos e que a densa fumaça expelida por mais de 10 horas não era explosiva, “apenas” inflamável.

Perguntas que ficam no ar
As “explicações” da gerência suscitam novas indagações. O Sindicato e os trabalhadores/as questionam:

1) Por que a gerência da refinaria mudou a versão de “falta de efetivo” para “tínhamos a situação sob controle”?
2) Como ela poderia ter certeza de que o vento sopraria sempre na mesma direção por mais de 10 horas, tempo em que a fumaça ficou exalando?
3) Qual é o estudo técnico para afirmar que a fumaça era “apenas” inflamável e não tinha potencial explosivo?
4) Mesmo sendo “apenas inflamável”, por que a gerência permitiu que operadores estivessem na área do incidente sem roupa especial de proteção? Se houvesse uma explosão ou “apenas” um incêndio, muitos trabalhadores correriam risco de morte.
5) Em um caso de emergência, o que é mais vital do que a vida das pessoas que trabalham na refinaria?

“A maioria das pessoas que participou dessas reuniões saiu com dúvidas semelhantes e sem acreditar na versão de uma gerência que já demonstrou não ter qualquer compromisso com a segurança dos trabalhadores”, afirma o coordenador da Regional Campinas, Gustavo Marsaioli, que participou de uma dessas reuniões, apesar de ter sido convidado a se retirar.