Após incêndio, Sindicato cobra plano de segurança para partida da operação

Por questão de minutos, a explosão seguida de incêndio que ocorreu na Replan na madrugada (0h51) da segunda-feira, 20, não se transformou em uma tragédia. As chamas tiveram início após a explosão do tanque de águas ácidas, que fica no craqueamento, unidade que acabou de passar por manutenção e sofreu uma série de intervenções em seus equipamentos. A explosão não teve vítimas, mas causou pânico nos trabalhadores. Cerca de 50 empregados próprios e terceirizados executavam serviços nas unidades.
Uma comissão para investigar as causas da explosão foi instaurada com a participação de representante do Unificado. Para a direção sindical, o acidente é resultado do processo de desmonte da Petrobrás para privatizar a empresa.

Manutenção terceirizada
Chama a atenção do Sindicato o fato de o acidente ter acontecido poucos dias após uma parada para manutenção do craqueamento. Pela primeira vez, o serviço foi executado por uma empresa de fora, apenas com trabalhadores terceirizados. O serviço incluiu a manutenção das grandes máquinas, que demandam conhecimento específico e mais qualificado.
“Historicamente, a manutenção desses equipamentos, que são considerados o coração das unidades, sempre foi feita por mão de obra própria, utilizando-se, principalmente, do acervo técnico e acúmulo de experiência, conhecimento”, explica o diretor do Unificado Jorge Nascimento.

Parada emergencial
O acidente causou a paralisação emergencial de toda a refinaria. No dia 22, o setor administrativo retomou o serviço, mas a parte de produção continuava parada.
Pressionada pela Agência Nacional de Petróleio (ANP) a Replan acelerou a partida. A refinaria possui duas unidades de craqueamento e duas de destilação. Como apenas duas das quatro unidades foram afetadas, a refinaria poderia retomar o processo operacional parcialmente.

Sucateamento
O Unificado aponta o processo de desmonte da Petrobrás, com a redução do efetivo mínimo operacional e a precarização das manutenções preventivas, como uma das principais causas de acidentes na empresa. “Há anos o Sindicato vem denunciando essa política da destruição, o sucateamento da Petrobrás e a falta de segurança, que se agravou ainda mais com a redução do efetivo mínimo operacional”, declara o coordenador do Unificado, Juliano Deptula.
Desde a implantação do estudo de Organização e Métodos (O&M) da Petrobrás, em junho do ano passado, que promoveu o corte no número mínimo de trabalhadores e aumentou as condições de risco, a Replan já sofreu quatro paradas emergenciais. “Grande parte dos trabalhadores afirma que nunca se viu na refinaria um acidente com um potencial tão grande quanto foi este”, alertou Gustavo Marsaioli, coordenador da Regional Campinas.
“Foi muito grave o que aconteceu, poderia ter sido uma calamidade”, denuncia o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Simão Zanardi Filho.

Propostas para mais segurança
Em reunião com a direção sindical, ocorrida dia 24, a gerência da Replan comunicou que pretende começar o processo de partida operacional nesta quarta-feira, 29.
O Sindicato reivindica o isolamento das unidades de craqueamento e destilação afetadas; apresentação do plano de operação das áreas com a revisão dos procedimentos de tratamento de águas ácidas para todos os setores envolvidos com as mudanças decorrentes do sinistro; plano de partida, contendo o relatório de inspeção de todos os equipamentos afetados; criação de um grupo de trabalho, entre Sindicato e empresa, com participação de representantes da base para tratar do tema manutenção; fim do descarte de salmoura sem tratamento, o que pode contaminar as águas do Rio Atibaia, que abastecem várias cidades da região; e respeito integral ao número mínimo vigente de trabalhadores.