A Petrobrás está ‘se suicidando’, alerta diretor do Sindicato

Bob e Salazar durante debate

 

Por Alessandra Campos

Convidado para expor na Unicamp o que pensam os petroleiros sobre a Petrobrás e a atual conjuntura do setor, o diretor do Unificado Arthur Bob Ragusa alertou que a empresa está em “um caminho acéfalo e suicida”. A atividade foi realizada no dia 4, no auditório do Instituto de Geociências (IG), e teve as participações do petroleiro, do mestrando em geografia Carlos Salazar Salgado, que trabalhou por 12 anos na Replan, em Paulínia, e do docente do Departamento de Geologia e Recursos Naturais (DGRN) e do IG, Ticiano Saraiva dos Santos.
Em sua apresentação, Bob explicou que a Petrobrás surgiu por força da população brasileira, a partir de um movimento social que se deu na década de 40, chamado “O petróleo é nosso”, e sua fundação foi efetivada em 1953, no governo eleito de Getúlio Vargas. “A empresa nasceu como um projeto de desenvolvimento nacional, de tecnologia, que se expressa nas descobertas, como a do pré-sal, e em toda uma cadeia de tecnologia e serviços”, afirma.

A Petrobrás se tornou o sonho do trabalhador brasileiro e o orgulho do país, cenário que começou a mudar entre os anos de 2013 e 2014. “Veio um processo muito pesado pra cima dos petroleiros, que é a lava jato, uma operação que temos mais ingredientes para entender que é geopolítica do que puramente de combate à corrupção. A lava jato veio com uma potência destrutiva muito forte e mexeu com o psiquismo do petroleiro e do terceirizado”, conta Bob.
Hoje, destaca o dirigente, os trabalhadores estão sofrendo um processo de desilusão e de medo da demissão e da terceirização, mas, ao mesmo tempo, adquirindo consciência. “A empresa está meio acéfala e esquizofrênica. Ela está se sabotando, se suicidando e vai precisar eliminar muita gente, que pode ser metade dos empregados”, argumenta.

A situação de suicídio da empresa, de acordo com Bob, é ainda mais evidente no Nordeste. “O plano é sair completamente dessa região, entregando o mercado de combustíveis, derivados e logística da Bahia, por exemplo, para uma base estatal francesa. Ou o de Pernambuco, o mercado mais dinâmico do Nordeste, a região que mais cresce, entregar, talvez, para uma empresa chinesa”.
O petroleiro aponta que a situação é muito delicada. “De um lado essa gloriosa empresa, indo por um caminho acéfalo e suicida, do outro os trabalhadores cheios de insegurança, muitos jovens que estão começando a recuperar um pouco da sua autoestima, porque fomos julgados injustamente pela lava jato”, afirma.
O que fazer diante desse cenário crítico? “Vivemos um momento muito polarizado, dividido e o prognóstico que está sendo desenhado para a Petrobrás e o petróleo é muito ruim. A probabilidade de empobrecimento do país é enorme e podemos viver momentos de agitação social muito grande. Para mudar isso, precisamos que a sociedade esteja junto conosco nessa luta, em um movimento similar ao que foi o “O petróleo é nosso”, que deu origem à Petrobrás. E esse processo não vai ser rápido”, conclui o diretor do Sindicato.