A normalidade cega, surda e muda de Temer

A ordem no Palácio do Planalto é fingir que não há problemas e manter a imagem de normalidade institucional, diante da crise política que assola o país.
A estratégia do governo combalido foi planejada por Temer e seus ministros na madrugada de um domingo, dia 21 de maio, após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista vir a público, quatro dias antes.

A intenção, por trás dessa manobra, é aprovar o mais rápido possível as reformas trabalhista e da previdência. Temer sabe que sua sobrevivência depende disso.
Na berlinda, Temer tem muita pressa em aprovar as reformas, pois sabe que é improvável que elas sejam defendidas por um governo legitimamente eleito. E o seu maior problema é que a conta do impeachment é cara e precisa ser paga.

Apoiadores do golpe, como o setor financeiro e setores empresariais, como a Fiesp, além da intermediação do interesse de empresas estrangeiras pela embaixada americana no Brasil, pressionam o governo abertamente, por intermédio da mídia, que também tem sua participação em todos esses episódios.

O ato realizado em Brasília, no dia 24, deixou claro que não existe “normalidade” no atual momento da política brasileira.

O movimento superou em muito a expectativa inicial de participantes – fala-se em mais de 200 mil pessoas -, além de ter um clima bem mais tenso do que o esperado.
Para além da discussão moral sobre os incêndios e depredações, o Ocupa Brasília demonstrou uma profunda revolta e indignação do povo.

Temer não tem mais absolutamente nenhuma condição de governar o Brasil e isso abre uma janela para o campo progressista, que vinha caminhando com dificuldade de emplacar uma mudança nos rumos do país desde o impeachment.

As eleições diretas, que colocam o interesse popular no centro da discussão, são o caminho mais razoável para a saída da crise. Sabemos, entretanto, da sua dificuldade, já que terá absoluta rejeição da base governista e da maioria de seus dissidentes.
O impeachment de Dilma marcou a abertura de um novo ciclo da história do país, que se inicia com um aumento significativo nas lutas populares contra aqueles que usam a política como forma de agenciamento de interesses, contrariando a ideia de um projeto nacional para o povo brasileiro.

Cabe agora aos trabalhadores a clareza de saberem escolher qual o Brasil que queremos. O Brasil de um futuro muito próximo está em disputa aberta e, neste momento, não há espaço para a dúvida de como se posicionar, pois, como já é sabido, “ na política não existe vácuo”.
A hora é agora e nós exigimos a renúncia de Temer, barrar as reformas no Congresso e eleger nosso presidente, por meio do voto popular. Diretas, Já!