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A crise da PM no ES, a falência da política golpista e o fantasma de 64

O que está acontecendo no Espírito Santo faz parte do processo do golpe de estado instaurado no Brasil em 2016, avalia o diretor do sindicato, o petroleiro aposentado Alberto Souza. “Está se gestando um ovo de serpente”, diz, em referência ao receio de que as forças armadas na rua representem um “perigoso precedente diante da debilidade atual das instituições políticas democráticas”.
Quando uma serpente choca seus ovos, a casca vai afinando e é possível ver o filhote se formando, metáfora utilizada para definir uma situação da qual já se antevê os resultados.
O estado do Espírito Santo, governado por Paulo Hartung, do PMDB, foi um dos que melhor levou a cabo a política de “responsabilidade fiscal” – leia-se “arrocho”. Mesmo com o custo da folha do funcionalismo bem abaixo do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o estado manteve a “política de austeridade” para o funcionalismo e de benesses para as empresas, com desonerações e outros incentivos à custa dos cofres públicos.
Os salários dos PMs do Espírito Santo são os mais baixos do país, R$ 2.460,00, sem reajuste há sete anos. As reivindicações da categoria são justas, mas o governo, em vez de negociar, preferiu ameaçar os grevistas e chamar o exército para fazer função de polícia – o que é um erro sob todos os pontos de vista.
Alberto de Souza acredita que a “tendência de militarização do país tem em sua esteira a criminalização dos movimentos sociais e reivindicatórios”. Essa preocupação é confirmada com as recentes declarações do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que defendeu que o exército atue para reprimir movimentos sociais, que chamou de “baderneiros”.
O país não precisa de reforma da Previdência nos moldes propostos, não precisa de ajuste fiscal que retira dinheiro de setores essenciais como saúde e educação. O Brasil necessita combater sem seletividade a corrupção,  aumentar impostos dos que mais ganham e cobrar os grandes sonegadores. Apenas 13 mil sonegadores devem mais de R$ 900 bilhões ao erário, conforme a Procuradoria da Fazenda Nacional.
Não é falta de dinheiro o problema do país, é falta de política pública. Estamos assistindo novamente à entrega do Estado para a iniciativa privada e a alarmante presença do exército para “solucionar conflitos”. Será?