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Enquanto os termômetros marcavam 38 graus e o carro de som entoava o refrão do samba-enredo da escola Mocidade Unida "Abra o olho meu povo / para não se dar mal / vamos defender o pré-sal" centenas de aposentados e pensionistas vindos de diversas partes do país buscavam na sombra do suntuoso prédio do Edise proteção para o calor escaldante. Para mostrar como trata as pessoas que por décadas derramaram seu suor para construir a maior empresa do país, a gerência da Petrobrás mandou fechar os portões de entrada, impedindo que os "cabeças brancas" se protegessem do sol sob a marquise do prédio.
Sem esmorecer, trabalhadores aposentados e pensionistas dos sindicatos do Paraná/Santa Catarina, Norte Fluminense, Minas, Ceará, Bahia, Duque de Caxias e Unificado de São Paulo permaneceram a manhã toda do dia 3 protestando e exigindo seu direito ao avanço de níveis de 2004/06.
Sob coordenação do diretor da FUP, Paulo César (PC), o ato foi ocorrendo de maneira tranquila, com os representantes de cada sindicato dando seu recado e explicando como está o andamento dos processos em suas bases.
Anunciado como o principal incentivador do ato, o diretor do Daesp do Unificado, Oswaldinho iniciou sua fala se dizendo recompensado com a participação expressiva dos petroleiros aposentados e pensionistas e brincou: "A Petrobrás tem sorte e azar de ter trabalhadores como os petroleiros. Sorte porque construímos uma das maiores empresas do mundo, e azar porque sabemos lutar pelos nossos direitos".
Após explicar rapidamente o porquê dos processos de níveis, Oswaldinho solicitou à Petrobrás uma rápida solução. "Esse é um direito líquido e certo, mas temos companheiros de idade avançada, queremos usar esse dinheiro com viagens e festas e não com funerais", destacou o dirigente.
Apesar de não fazerem parte da FUP, diretores do Sindicato do Rio de Janeiro participaram do ato e enalteceram a iniciativa da FUP de pressionar a empresa.
Falando em nome do Sindicado do Norte Fluminense, a pensionista Leni (viúva de um petroleiro) disse se considerar parte da categoria e uma ex-funcionária e, como os demais oradores, exigiu urgência na solução da pendência.
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Dona Leni, pensionista, representou o Sindipetro NF
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Oswaldo Francelino (Oswaldinho), um dos idealizadores do ato
Unificado deu o tom
Em diversos momentos da manifestação, o Sindipetro Unificado foi citado como o propulsor desta luta. Além de ter em Oswaldinho um dos mentores do ato, o Unificado participou com a maior delegação (dois ônibus) e o processo judicial que teve ganho de causa em primeira instância, foi considerado o mais simbólico de todo o país, por ter o sindicato como substituto processual, isto é, uma ação que representa todos os aposentados da base.
Enquanto manifestavam em frente ao Edise, os companheiros da ativa do Unificado faziam atraso em solidariedade à luta.
O ato terminou com o coordenador da FUP e diretor do Unificado, João Antonio de Moraes, chamando a unidade da categoria petroleira e afirmando que quem quer dividir a categoria faz o papel dos patrões.
Os aposentados deram mais uma demonstração de garra, mobilização e disposição para lutar pelos seus direitos.
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Moraes, da FUP: unidade da categoria